Passo a passo para destruir uma temporada: Passo 1 – A “volta” de Cuca.

Após um longo período sem escrever aqui, darei início a uma série de capítulos sobre como, ao meu humilde ver, o Palmeiras conseguiu, por ele próprio e por suas decisões, acabar com o ano de 2017, uma das mais promissoras temporadas da história do clube.

Originalmente, o “Passo 1” dado em direção à essa catastrófica temporada não seria necessariamente a “volta” do Cuca, mas, como a saída dele é recente, acho que devo começar por isso, até pra não perder o “timing” do assunto.

Sendo assim, aqui vamos nós.

Primeiro, precisamos voltar ao fim da temporada passada, quando, após o título brasileiro, iniciou-se a novela a respeito da renovação de contrato do Cuca. O final desse folhetim todo mundo sabe, mas eu, particularmente, jamais engoli a famigerada desculpa dos tais problemas familiares a impedirem que o treinador desse sequência em um trabalho fantástico e que tinha em seu futuro nada menos que a promessa da glória eterna!!!

Pois bem. A mim soou bastante estranha a forma como Cuca decidiu encerrar o seu primeiro ciclo à frente do comando técnico do Palmeiras, sobretudo porque, no passado recente, nenhum outro treinador havia conseguido tal feito (campeão brasileiro) e pouquíssimos (se é que houve algum) tiveram à sua disposição uma máquina tão pronta para dar resultados ainda melhores.

Não consigo me lembrar de outra temporada que poderia ter começado tão “redonda” como essa de 2017: Dinheiro à disposição para fazerem as contratações que quisessem; aparente paz política e administrativa; Allianz Parque e Avanti mais rentáveis do que nunca; inauguração do centro de excelência; fim da pressão por um título brasileiro… Tudo pronto para o Cuca começar janeiro da forma como todo e qualquer treinador sonha fazê-lo no Brasil.

Mas, ele optou por sair… Repito, jamais engoli a desculpa dos tais problemas familiares. Respeito, mas não engulo. Até porque, nunca saiu da boca do Cuca, expressamente, o que efetivamente motivou a sua saída, ou quais são esses problemas familiares. O que soubemos foi por intermédio de terceiros.

Ok, Cuca. Você pode ter o direito de sair a hora que quer, mas a sua posição de pessoa pública exige, pelo menos, que você justifique, olhando nos olhos da torcida, os motivos que o levaram àquela tomada de decisão. Tenho pra mim que aqueles que escolhem exercer “profissões públicas” renunciam automaticamente a uma pequena porcentagem de seu direito à privacidade.

Enfim, Cuca saiu. Lá se foi todo o planejamento da temporada.

O que se seguiu até maio foi o reflexo da total deriva em que o Palmeiras se viu após o abandono do seu treinador campeão. A escolha de Eduardo Baptista, inclusive, foi um evidente sintoma da falta de rumo no início do ano. Algo como: “Como assim, o Cuca não vai renovar?????? Putz, então contrata um qualquer aí, só pra começar o ano, depois a gente vê o que faz…”

Pois em maio, como dito, aconteceu aquilo que se esperava desde janeiro: A queda de um treinador inexperiente para a “volta” de Cuca, que retornava como o salvador da pátria, de novo, e apenas 5 meses após ter sido, realmente, o salvador de tudo!!! Precisava disso, Cuca?

Bom, ele “voltou”. E aqui é onde eu queria chegar: Qual Cuca voltou?

Vejam a foto acima e tirem suas conclusões…

Pois digo que o Cuca que “voltou” não tem nada a ver com aquele treinador que logo nos deixou novamente apaixonados pelo cara que fica na beira do campo e que queremos que seja mais um de nós ali dentro.

Não. Quem voltou foi um Cuca metamórfico, cheio de vaidades, de frescuras, de acessos de estrelismo, egocêntrico… Longe daquele que bateu no peito e cravou o título brasileiro de 2016 com mais de 6 meses de antecedência; título que na verdade, pra ele, Cuca, estava atrasado desde 1992.

Pois logo nas primeiras declarações após os primeiros resultados insatisfatórios já deu pra ver que o Cuca de 2017 lavaria suas mãos caso fossemos derrotados na temporada, só porque não foi ele quem pediu pra contratar o Borja, o Felipe Melo, o Guerra, o William, o Keno e etc… O recado dele era claro: “Vocês que planejaram a temporada sem mim que se virem com esses que foram contratados e que não jogam nada…”

Talvez isso explique a absurda insistência com o tal do Deyverson…

E a partir destas declarações, era apenas questão de tempo até que os próprios jogadores se sentissem incomodados; afinal, boleiro nenhum mais atura a antiga política do “Eu ganhei, nós empatamos e vocês perderam…”.

Paciência também faltaria à diretoria que, a cada eliminação, tinha de lidar com o treinador colocando o cargo à disposição. Considerando apenas as vezes em que essa conduta se tornou pública, foram 3: Cuca colocou o cargo à disposição depois da eliminação da Copa do Brasil para o Cruzeiro. Cuca colocou o cargo à disposição depois da eliminação da Libertadores para o Barcelona. Cuca colocou o cargo à disposição depois da derrota no derby. Uma hora alguém aceita, porra…

Foi então que após o empate contra o Bahia, acharam o “tal comum acordo”, e cada um seguiu seu rumo.

Trocando em miúdos, tenho que Cuca não é o único e nem o maior culpado, como veremos nos próximos capítulos, mas fez o que quis com o Palmeiras. Saiu a hora que bem entendeu, pra “voltar” quando lhe deu na telha.

Não me sai da cabeça a sensação literal de “abandono do barco” no final do ano passado, nem a de que nessa “volta” ele apenas esteva ali de corpo presente. Deu vazão aos sentimentos mesquinhos muitas vezes corriqueiros nesse meio, e teve quase nada da alma palestrina, da paixão pelo verde e do amor irrestrito e desmedido pelo Palmeiras.

A apatia, as declarações incabíveis e inconcebíveis dentro do futebol, a “viadagem” em não escalar esse ou aquele porque não foram pedidos seus e por dar preferência a “impreferíveis”, só porque esses foram seus pedidos… Ficou insustentável.

Talvez eu jamais saiba de fato o que houve, mas acho que o Cuca nunca quis voltar.

E aquele Cuca jamais voltou. Vejam a foto acima…

Avanti.

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