Por Vanderlei, Nonato e Sorín

Salve Nação Azul!

Essa Libertadores raiz nos reserva mais uma grande emoção a partir de hoje.
Quando se fala no maior torneio das Américas, é inegável que nosso grande rival é o River Plate.

E ninguém discute, também, que o Boca Juniors é um dos mais temidos.
Talvez pela mística de La Bombonera.
Muito pela camisa e pelos 6 títulos e 4 vice-campeonatos.

Fato é que no nosso caminho não cruzou um Arsenal de Sarandí, Tucumán ou New Kids on the Block naqueles torneios de passado próximo em que qualquer um ia lá e ganhava.

Vamos à Argentina sem temor trazer o resultado para decidir em casa como temos feito nos mata-matas.
Falavam que esse time era bom, mas não ganhava no novo Maracanã.
Ganhou.
Idem sobre o Allianz Parque do Palmeiras.
Vitória também.
Nosso time está cascudo, briguento, com a cara da Libertadores.

Por que não copar em La Bombonera?
Já o fizemos em 94, com gol do amuleto Roberto Gaúcho.

Mas destaco também a história de três laterais que fizeram história com nossa camisa e que, de alguma forma, tem sua trajetória no futebol cruzando com os xeneizes por algum momento.

Muitos dos mais novos sequer sabem disso, mas o Cruzeiro foi vice-campeão da Libertadores em 1977, perdendo a final para o Boca.
Derrota na Argentina por 1 a 0.
Vitória nossa em BH, por placar igual.
E terceiro jogo em Montevidéu.

Jogo truncado, apertado, 0 a 0.
Mas eis que nos penais a encomenda estava feita.
Se nos 90 minutos o juiz não conseguiu realizar a ajuda amiga ao Boca, nos pênaltis ele operou.
Logo na primeira batida, o argentino Monzón chutou na trave esquerda de Raul.
Nosso goleiro havia escolhido o lado direito e vibrou ao ver a bola se chocar contra o poste do outro lado.

Susto, porém, foi ver o juiz mandando a cobrança voltar sob alegação que o arqueiro celeste havia se adiantado.
Sem a menor chance de interferência, porém, já que Raul caiu para o lado oposto à bola.
A cobrança voltou, o argentino converteu e todos em seguida acertaram.

Em 5-4 para o Boca, o mostro Vanderlei foi para sua batida.
Cansado, bateu à meia altura e o goleiro do Boca defendeu, decretando o primeiro título continental para eles.

Vanderlei merecia melhor sorte.
Nelinho bateria o derradeiro penal se não houvesse sido substituído, e o ‘Fantasminha’, com seus mais de 500 jogos com nossa camisa, amargou esse dissabor.

Já Nontato, pelo menos no seu confronto se deu bem.
O Cruzeiro venceu o Boca por 2 a 1 pela fase de grupos em Abril de 1994.
Teve gol antológico de Ronaldo Fenômeno driblando a defesa e o goleiro.

Mas teve um lance genial, histórico, do maior lateral-esquerdo-destro da nossa história.

Já no final do jogo, Nonato roubou uma bola na sua intermediária, avançou, e pouco depois da linha do meio de campo, na altura do círculo central, bateu de direita para o gol.
A bola caprichosamente bateu no travessão, enquanto Navarro Montoya, na tentativa desesperada de fazer a defesa, se estatelava dentro do gol.

Merecia gol e placa, Nonato.
As reverências eternas você já as tem.

E Sorín, outro monstro por aquele pedaço de campo, terá motivos especiais para se juntar a nós nessas Quartas-de-final.
Cria dos Argentinos Juniors, revelado ao mundo pelo River Plate, forjado cruzeirense como nós.
Tem no sangue e na história a rivalidade ao Boca.
Ontem, num vídeo que está rodando a internet, rodava camisa e cantava as canções da torcida celeste dentro de um avião.

Pois que a classificação seja por eles.
Por justiça a Vanderlei.
Pela placa que não veio a Nonato.
Pela louca torcida de Sorín.

E que seja, também, por todos nós!

Abraços a todos, saudações celestes, fiquem com Deus!
Até a próxima!

por Rogério Lúcio
Twitter: @rogeriolucio77

(Foto: Arquivo Hoje Em Dia)

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