Pra todo Carnaval, sempre tem uma quarta-feira de cinzas

Quarta-feira está aí. Será dia de ver quem é quem. De um lado, o campeão brasileiro, que se diz ‘la bestia não sei de quê’, do outro, o Galo. Nem besta, nem nada. Apenas Galo. Simples assim. A inabalável fé alvinegra de um lado, a costumeira arrogância celeste do outro.

Por enquanto, está dois a zero pro time do Levir, mas isso não quer dizer muita coisa. Nós, atleticanos, sabemos melhor do que ninguém que viradas são possíveis. Mais do que isso: estão virando rotina. Pro lado de cá, sim. Vejamos se pro lado de lá também. É certo apenas que já começaram, ontem mesmo, a gritar “eu acredito!”. Gente criativa essa da Enseada das Garças.

Aliás, permitam-me dois parágrafos para falar dessa gente que veste azul e sonha com a camisa amarela do Raul até hoje. É muito curiosa a festa deles. Como eu falei em uma coluna anterior, abrem a janela, gritam ‘é campeão’ três vezes, apagam a luz e vão dormir. Antes, escutam Maria, Maria, do Milton Nascimento, claro.

Ontem, ao contrário do ano passado, teve até festa em BH. Os dezoito cruzeirenses que foram à Praça Sete por lá permaneceram algumas horas. Bacana demais!!!! Em Barbacena, foram exatos sete foguetes. Um amigo me explicou que é porque estão acostumados com títulos. Sei…entre contestar o delírio ou preservar a amizade, optei pela segunda opção.

Mas voltemos ao jogo de quarta. Haja coração. Não é o mesmo sentimento do final da Libertadores, mas desta vez é contra o rival local. A emoção tende a ser a mesma daquele inesquecível e alvinegro 24 de junho de Dois mil e Galo. Espero que o desfecho seja semelhante também. E desta vez, se não for pedir muito, sem pênaltis, por favor.

O coração alvinegro é calejado. Vem sendo testado insistentemente pela vida. Parece que aguenta de tudo, mas confesso que o meu já bate em disparada nesse início de semana. A decisão, agora no Mineirão, promete. Afinal de contas, são hoje, de fato, dois dos melhores times do país. E nada mais justo que tenham chegado, juntos, à final da Copa do Brasil. Juntos, mas separados, ok? Cada um na sua.

Que nosso Galo continue jogando com sangue nos olhos, como bem gosta a Massa, ao melhor estilo ‘o mais argentino dentre os brasileiros’. Foi assim que superou o trio do eixo e só assim erguerá a cobiçada taça. E que o time da Enseada venha ainda em festa, com salto alto, bem à maneira sugerida nas entrevistas de Egídio e Ricardo Goulart, que já anunciam o penta da Copa do Brasil antes da hora.

Afinal de contas, todo Carnaval costuma ter uma quarta-feira de cinzas, né? Até mesmo esses desanimados da turma ‘duladilá’ da lagoa. Assim seja. Com a garra de sempre e com a inabalável fé que cismou de ser nossa companheira de uns tempos pra cá. Não vai ser nada fácil, mas eu acredito!

Compartilhe!
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Deixe sua Opinião