Pra uns é frescura, pra outros é trauma de infância

Vão chamar de mimimi. Ou de chororô. Chamem do que quiserem. Respirem o cheirinho que quiserem. Fato é que no Brasil, o país da sem-vergonhice escancarada, o futebol é a sala de jogos daqueles que mandam porque podem. Nós, ajuizados, obedecemos. Mesmo sabendo que esse Brasileirão é sempre um blefe.

Que me desculpem os histéricos flamenguistas que invadiram as redes sociais neste semestre, mas só há um cheiro nesse campeonato: o de sempre. O cheiro da marmelada de 1980, 1996, 1997, 1999, 2012, 2015… Cheiro podre. Cheiro de Brasileirão. De Brasília. De Brasil! Segundo Oswaldo Montenegro, o que pro pobre é frescura, pro rico é trauma de infância. E ele está certo. No dos outros, é refresco, ora pois.

O atleticano sabe do que estou falando. O flamenguista, também. O torcedor do Fluminense, idem, assim como o corintiano. Enfim, o brasileiro conhece bem toda essa história. Afinal de contas, somos todos ‘Gérsons’ quando nos é conveniente, não é mesmo?

Na semana passada, assistimos o desfecho do Fla x Flu e toda a repercussão do lance em que o Meira Ricci (ele mesmo!), impávido colosso, chamou pra si a responsabilidade. Depois de 13 minutos. E dessa vez 13 não foi Galo. Nunca é quando o apito fala mais alto do que a bola. Interferência externa? Claro que não. Coincidência, diriam os que entendem do assunto. Por sorte, a INTERferência neste domingo foi outra lá no Sul, se é que me entendem.

Só que, coincidentemente, também teve um bandeirinha, ou assistente, se preferirem, acenando o instrumento para o apitador de plantão neste domingo. Três dias depois do ‘novo caso Ricci’. E o desfecho? O cidadão foi ignorado pelo árbitro, que não quis ouvi-lo. Mão na bola, bola na mão, siga la pelota. E um pênalti logo depois. Mão na bola, bola na mão, siga la pelota. Ê Brasil…mostra a tua cara! Será mesmo que o teu futuro espelha essa grandeza toda? Nesta, eu não acredito!

Está certo que o bom e velho apito amigo não apaga os sucessivos erros do Marcelo Oliveira, cujo curriculum vitae há quem diga que será uma das atrações deste Natal em Belô! Oxalá! Repito o que já disse antes aqui: no papel, temos uma Alemanha daquele delicioso 7 x 1. Em campo, amarelamos como o time do Felipão no mesmo 7 x 1. Mas pra isso há solução! Pra roubalheira, temo que não.

A não ser que nosso presidente nasça de novo! O seu educado protesto no twitter tem o mesmo efeito que esse meu texto, Nepomuceno: nenhum. “Turcalize-se”, meu filho. Soco na mesa, bico na porta e ameaças no microfone. Ou aí não é Galo? Aqui é. E estou, assim como toda a Massa, cansado de ver o mesmo filme, ano após ano. Se precisar de ajuda e faltar coragem, chame o Donizete que ele dá conta do recado. Não fique aí deitado eternamente em berço esplêndido, presidente. De bonzinho, o inferno está cheio. A CBF também.

Enquanto esperamos uma atitude do nosso presidente, seguimos acreditando, sem um pingo de vergonha na cara ou sanidade, como manda o manual do atleticano. Tristes, mas não de crista baixa. Aliás, tristes não. Revoltados mesmo. Tristes devem estar os que são comparados ao Criciúma e vivem na mierda. Triste eu estaria se meu time estivesse atrás desse mesmo Botafogo na tabela do Brasileirão.

Vamos em frente, Galo, que esse apito um dia há de silenciar. Continuamos a nossa sina de desafiar o impossível, vingar Aragões, Wrights, Simons e cia e arrepiar os cabelos dos matemáticos. Somos uma Nação regada a amor e loucura e mostramos, ano após ano, que um filho seu não foge à luta!

Imagem – Jorge Cunha

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