Precisamos conversar, Frederico

Seja bem-vindo, Frederico! Aqui você vai aprender muita coisa. Antes de te receber no aeroporto, é necessária uma conversa. Pode pedir uma gelada, que o papo vai demorar. Comecemos pelo início: aqui é Galo. E ponto. Não tem mimimi. Não tem vaidade, não tem blá, blá, blá. É preto no branco. A partir de hoje, só importa uma coisa: sangue nos olhos, raça e amor ao manto.

Esqueça o seu passado, Frederico. Delete os gols que fez pelo time ‘duladilá’ da lagoa e pela cariocada da CBF. Não foi isso que te trouxe ao Galo, paixão maior das montanhas de Minas. Foi o Nepomuceno. E ponto. Ele te trouxe. Nós te recebemos. Juntos, vamos longe. Aqui é no grito do torcedor, até a garganta sangrar. Não tem apito amigo. É na bola. E se um dia você duvidou de algo, está na hora de rever os seus conceitos. Aprenda que o impossível esbarra na garra alvinegra. Rimos do improvável e desafiamos a matemática.

Tem uma boa parte dessa Massa que não queria te ver com o manto. Esqueça isso também. No primeiro gol, essa gente – sofrida, apaixonada e bipolar – vai estar de braços abertos pronta a te acolher. Que seja logo neste domingo. Diante das Marias, pra ficar perfeito. Já desembarca em Confins com o colete do time titular, meu amigo. A 9 é sua e ponto. Inspire-se em Dadá, Reinaldo, Tardelli, Guilherme e tantos outros que fizeram chover e nos conduziram ao ápice dessa loucura chamada Clube Atlético Mineiro.

Minha irmã xingou no face. Meu pai jurou tirar férias. Conversa fiada, Frederico. Faça como Leonardo Silva, que atravessou a lagoa para ser feliz. Abraçou a lua naquele 24 de julho de Dois Mil e Galo e nos deu o maior dos presentes. Azul, aqui, só vestimos para ter o prazer de sujar. E ponto. No fundo, no fundo, você sabe bem disso desde a sua infância, em Teófilo Otoni. A família Kalil sempre disse: vestiu o manto, os pecados são todos esquecidos e a torcida abraça.

Eu mesmo já te xinguei e escrevi uma carta aberta, postada neste mesmo espaço. Te chamei de chato e questionei quando pediu dignidade à CBF. Entenda, Frederico. Para nós, CBF é CBFlu e não fazia sentido a sua indignação, pois no Brasileirão de 2012 você não reclamou de nada. Esqueça isso também, Frederico. Passado não entra em campo. Faça seus gols e mande a CBF para a PQP! Estará tudo certo! Tudo alvinegro!

Seu passado não importa, meu caro. O que vale agora é que você veste o preto e branco que encanta e hipnotiza. Você é Galo. Seja doido, como o Luan, nosso menino maluquinho que já está contando as horas para voltar aos gramados. Ainda mais agora, com você por aqui.

Quando a turma da arrogância vier chorar nas redes sociais e nos microfones da Itatiaia por causa de sua presença entre nós, apenas ignore. Não dê ouvidos à minoria. Com elas, resolvemos em campo. E lembre-se: elas tremem. Você tremeu por um tempo e sabe do que estou falando. Agora, Frederico, é hora de viver o lado bom do clássico mineiro. Você agora é João. Seja por inteiro.

Ao lado de Robinho, você já forma o melhor ataque do Brasil, Frederico. Juntos, vocês trarão para a maior torcida de Minas alegrias sem fim. Você chega para ser campeão, Frederico. E aqui você vai entender o que é esse negócio de ‘eu acredito’. Certamente, vai se arrepiar com a nossa festa no Palácio do Horto e no salão de festas da Pampulha. Isso é normal. Hoje você já é dos nossos. Já vibra com alegria nas vitórias e luta com toda a raça do mundo pra vencer. Vai ver que cada gol aqui tem uma história, um script digno das terras hollywoodianas. Até aqui, um gol era apenas um gol, certo? Agora, é uma vida, um choro, uma conversa direta com Deus.

Tenho certeza, Frederico, que você acompanhou nossa épica campanha na Libertadores de Dois Mil e Galo. Sabe dos milagres de São Victor, viu Riascos partir pra bola. Viu o escorregão bonito por natureza do paraguaio amigo. Um ano depois, viu a gente colocar o tal mano pra dançar, eliminar o classificadaço e selar a conquista a la Jota Quest contra a turma da vaidade: fácil, extremamente fácil. Deve ter dado gargalhadas do Goulart. Ele achou que era vôlei, coitado. Perdoe o rapaz, ele não sabe o que diz.

Perdoe também o Levir, Frederico. Ele arrumou essa confusão toda só porque sabe que o Pratto está indo embora pra China. E era preciso mandar você pra cá. No lugar do argentino que exala gol, só mesmo você, que é o gol personificado. Levir é um cara legal, acredite. E alvinegro, como eu. Como você e como toda essa Massa que está louca para queimar a língua. Assim como foi com o Ronaldinho, o Gaúcho que virou Mineiro. Reclamamos quando ele veio. Lamentamos quando ele foi. Ele chegou de mansinho, jogou granada nas Marias, trouxe títulos e nos ajudou a virar a página de nossa história. Por ele, carregamos até a dona Miguelina nos braços. Por nós, ele jurou amor até o fim.

Cuca também chegou de mansinho, ressabiado. Chegou funcionário, como você. Saiu torcedor, como você vai sair um dia. Nos emprestou a Nossa Senhora da Camisa e reza por nós toda noite. Faça como eles. Como Paulo Roberto Costa, que foi o primeiro a mostrar para o Brasil que nem toda tremedeira é Parkinson. Pode ser só medo. Exemplos você tem Frederico. Conquiste essa Massa e se deixe conquistar por esse povo que emana amor. Agora é a sua vez, Fred. A vida lhe deu esse presente. Faça valer a pena e seja bem-vindo!

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