Preciso lhes falar sobre o Fábio

Salve Nação Azul!

Prezados senhores, estamos diante de um monstro.

Não lhes falo apenas por ontem, apesar de que se puxar rapidinho da memória não vai se lembrar tão facilmente de um goleiro pegando três pênaltis seguidos e avalizando uma goleada de 3-0 em disputas desse teor.

Vou rodar o flashback.

Fábio chegou ao Cruzeiro em 2000 para compor o elenco.
Emprestado pelo União Bandeirante – PR, ele veio para ser reserva de André e, integrado ao elenco, foi campeão da Copa do Brasil daquele ano.
Com poucas oportunidades (apenas 4 jogos em todo o ano), Fábio voltou para o futebol paranaense e de lá saiu para o Vasco.

Eis que quatro anos mais tarde e logo após a saída do titular Gomes do Cruzeiro para o futebol europeu, o Cruzeiro foi ao Rio buscar de volta o goleiro então já mais maduro.

À época, o presidente do Vasco Eurico Miranda afirmou que ‘devolvia na mesma moeda, pois nos anos 70 o Cruzeiro vendeu o cego Tostão ao Vasco, que agora vendia outro cego para Minas’, em alusão às diversas críticas ao goleiro por levar gols de fora da área e, especialmente, de falta.

Ledo engano, Eurico.
Fábio se firmou no Cruzeiro e desde então vem enfileirando defesas incríveis.

Fábio é 8 ou 80.
Pasmo atesto que ainda há torcedores do Cruzeiro que o criticam.
Ou o veneram.
Não há um meio-termo.

Falavam que Fábio não sabia sair do gol e muitos o culpavam pela perda da Copa do Brasil de 2005 e Libertadores de 2009.
Diziam que com ele no gol o Cruzeiro nunca ganharia algum título que não fosse o Mineiro.

Pois eis que em 2013 e 2014 Fábio estava lá ao final do certame levantando o troféu de Campeão Brasileiro.

Um momento é emblemático nesse bicampeonato é a defesa que fez contra o Grêmio em Porto Alegre, 2014.
O Grêmio havia saído na frente e só não ampliou por duas defesas no mínimo difíceis do paredão azul.
Mas após o empate celeste, uma bola rebatida no ataque do Grêmio sobrou para o (hoje nosso) artilheiro argentino Barcos.
Na linha da pequena área, sem firulas, o avante fuzilou e já preparava a comemoração quando do nada surgiu um muro.
Fábio se jogou na bola e salvou de forma descomunal e impressionante aquele que seria o gol de vantagem do tricolor gaúcho.

Minutos depois o Cruzeiro sacramentou a virada e ali praticamente carimbava o bicampeonato.
Fábio ainda ficou em campo para entrevistas e quando chegou ao vestiário, foi saudado, ovacionado por seus companheiros de time com a música da torcida:

– P#@ Q P#@IU, é o melhor goleiro do Brasil: FÁ-BIO!

Momentos assim são incontáveis nesses mais de 700 jogos com a camisa estrelada.

Ele foi gigante em conquistas de canecos (lembram-se de Magno Alves?), a Copa do Brasil do ano passado, fundamental naquele 2011 de se esquecer…

Contestado ou não, amado ou não, o que ninguém pode negar é a segurança que dá à defesa do Cruzeiro olhar para as metas e ver que lá está um Paredão.

Daqui a pouco tempo, (se é que já não podemos dizer agora) vamos facilmente colocá-lo em disputa com Raul e Dida nas resenhas sobre quem foi o maior goleiro do Cruzeiro de todos os tempos.

Fato é que todos os torcedores azuis vão sentir saudades quando ele se aposentar.
Todos vão ver que o tempo houvera chegado e lamentar a ausência do Paredão.

Basta olhar para os recém-aposentados Marcos no Palmeiras ou Ceni no São Paulo e ver o quanto suas balizas ficaram órfãs sem suas recentes referências.

Enquanto não chega esse tempo, sigamos aproveitando.
Sigamos vendo tremer quem seu caminho cruzar.
E, oxalá, vendo Fábio enfileirar tantos troféus quanto defesas.
Que venham mais nesse 2018, pois AQUI TEM GOLEIRO, P#@RA!

Abraços a todos, saudações celestes, fiquem com Deus!
Até a próxima!

por Rogério Lúcio
Twitter: @rogeriolucio77

(Foto: Pedro Vale – AGIF Folhapress)

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