Presente de grego

A bola vai rolar no Chile. Com uma partida entre os anfitriões e o Equador, começa, logo mais, a 44ª Copa América. E são várias as perguntas que me vêm à cabeça nesse momento: Brasil e Argentina são os únicos favoritos? Até onde pode chegar a Colômbia de Falcão, James e Quadrado? A Argentina, agora com Tevez, é imbatível? Neymar está sozinho na seleção brasileira ou Tardelli não é um mero coadjuvante? Um título canarinho apaga aquele eterno 7 x 1 dos alemães no Mineirão?

Mas a principal delas, neste momento, é: o que a Jamaica vai fazer no Chile? Sem nenhuma tradição no futebol, os jamaicanos chegam à terra de Neruda depois de conquistar a Copa do Caribe ano passado. Cair no grupo B, ao lado de Argentina, Uruguai e Paraguai, é o que podemos chamar de presente de grego. Convenhamos.

Os Reggae Boyz têm tudo para ser o saco de pancadas do grupo 2, que podemos ‘forçosamente’ chamar de ‘grupo da morte’. Não são, nem de longe, páreo para seus adversários. Enfrentam nada menos do que as duas seleções com mais títulos de Copa América. Chegam ao Chile com um curriculum onde a grande façanha é a vitória por 2 x 1 diante do Japão na Copa do Mundo de 1998, em sua única participação em mundiais. Vasta experiência, não? Não.

De todas as perguntas que fiz no início do texto, a única para a qual não consigo encontrar resposta é esta mesmo. Afinal de contas, o que a Jamaica vai fazer no Chile nos próximos dias? Que me desculpem Bob Marley e  Usain Bolt, mas jogar bola que não é. Mesmo com todo o apreço que tenho pelo reggae de Marley e respeito pela velocidade de Bolt, aposto minhas fichas que não somam um ponto sequer. All in pra frente. E sem ver as cartas.

Corro o risco de alguém dizer que os jamaicanos, por obra do inusitado, podem se inspirar na Costa Rica, que chegou ao Brasil ano passado com status de ‘Íbis internacional’ e só parou nas quartas-de-final, caindo nos pênaltis contra a poderosa Holanda. Isto depois de sobreviver ao grupo da morte e enfrentar de igual para igual italianos, ingleses e uruguaios. Mas o raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

Quer dizer…..quando o assunto é Atlético Mineiro, cai sim. Não duas. Mas setecentas, se preciso for. Mas o alemão Schäfer não é Cuca e nem Levir. Lá, eles não têm o Luan, menino maluquinho que mais parece filho do Maradona. E a torcida da Jamaica em nada se assemelha à Massa. Resta saber se lá eles acreditam. Eu, neste caso, não. Mesmo sendo atleticano.

Para não deixar sem respostas as perguntas iniciais, digo que a Argentina, com Tévez, é mais forte do que o Brasil de Dunga, Neymar e Tardelli. Mas coloco a seleção brasileira como principal adversária dos ‘hermanos’, vendo Colômbia e Chile correndo por fora.  E se por um acaso a taça resolver me desmentir e vestir o verde e amarelo, eu digo não! Nem em sonho apagará o 7 x 1 do Mineirão. Nada apagará. Isso é como achar que as Marias pararam de tremer porque ganharam o último clássico. História pra boi dormir. E que role a bola no Chile! E as compras nos shoppings e os passeios pelas praias de Antofagasta e Viña del Mar….

 

Foto – www.conmebol.com

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