Quando um avião cai, a gente cai junto

O meu coração pulsa em preto e branco e não há como fugir disso. Mas hoje, ao saber da tragédia na Colômbia, foi inevitável. Ele bateu com a cor da esperança. Verde que te quero verde. Quero ver-te, Chapecoense! No topo da América, como vi um dia o meu Galo. E você já está lá, independente do que venha a decidir a Conmebol. Por justiça e com o reconhecimento do Nacional de Medellín, esse título é seu, embora seja difícil gritar ‘é campeão’ nesse triste dia!

Hoje não há final de Copa do Brasil que mexa mais com o meu coração do que a triste notícia que abriu o meu dia. Hoje São Victor do Horto dá licença a Danilo, o verdadeiro guerreiro que emocionou todo um país. Hoje as pedaladas do menino Robson perderam o sentido. Não há risada, não há conversa com Deus que não seja em verde e branco.

Vimos, incrédulos, o fim de um sonho, interrompido de forma brusca e cruel. Mas o destino não nos oferece o questionamento. Ele age e ponto final. Que as famílias e amigos de toda a delegação da Chapecoense tenham o conforto necessário, assim como os familiares dos jornalistas e dos tripulantes que também perderam suas vidas neste fatídico voo.

Li no facebook de um amigo que ‘quando um avião cai, a gente cai junto’. Verdade. Caímos todos. Sem esperança, com dor. Fala-se em cinco ou seis sobreviventes, mas somos mais. Afinal de contas, estávamos todos naquele avião, abraçando a Chapê e sonhando juntos esse sonho continental que comoveu Santa Catarina e o restinho do Brasil. Um sonho tão verde quanto a nossa vontade de escutar a qualquer momento que é tudo mentira.

Todas as homenagens feitas ao time da Chapecoense são muito pouco perto do que queríamos fazer por esse time do oeste catarinense. Tenho certeza de que cada brasileiro hoje trocaria o melhor do seu dia por um gol da Chapê. Até mesmo torcedores do Figueira, Criciúma, Avaí ou Joinville. Porque a rivalidade, meu amigo, tem que esbarrar no espírito fraterno que ainda existe dentro de cada um de nós. Aqui em Minas, hoje Atlético e Cruzeiro são verdes, assim como o América.

Ainda perplexos e consternados, assistimos ao adiamento das finais da Copa Sul-Americana e da Copa do Brasil, e também da última rodada do Brasileirão. Não há clima, não faz sentido algum que a bola role hoje. Não há a mínima vontade de gritar gol. Há apenas um imenso vazio, que toma conta de todos nós, meninos catarinenses retratados nessa triste arquibancada da vida. Mas a Chapê é grande e há de se reerguer. Eu acredito!

Vamos, vamos Chapê!

Compartilhe!
  • 276
  •  
  •  
  •  
  •  
    276
    Shares

Deixe sua Opinião