Que seja dia de Galo, de milagres e de muita fé. Não a santa, mas a alvinegra. Amém!

Já disse e repito: se a fé deles é santa a nossa é muito mais. Genuína, nos acompanha desde o berço. E não é só a fé que embarcou na bagagem dos jogadores atleticanos ontem. Eles levam a raça alvinegra, que nos faz quase argentinos e que é única. Carregam milhões de guerreiros, que os acompanham em pensamento nesta decisão em Bogotá. Têm Cárdenas, o antídoto caseiro de Levir para o rival colombiano.

O atleticano já nasce de braços dados com Deus. É íntimo de São Victor do Horto, se inspira na Nossa Senhora da camisa do Cuca, o funcionário que virou torcedor. E é nessa fé, que ultrapassa qualquer limite de devoção e esbarra na loucura, que depositamos o grito de #euacredito que ecoou Brasil afora e nos apresentou ao mundo em Dois mil e Galo. Vai ser na fé. Não a santa, mas a alvinegra.

Porque, para essa quarta-feira, quero crer que os deuses do futebol já têm o script pronto. Que seja com gol de Pratto, o argentino que respira bola no barbante. Que seja na maluquice de Luan, o filho do Maradona, que como todo bom adolescente passa por momentos de rebeldia, mas ama o Galo acima de tudo e todos, como toda a Massa. Que seja na cabeçada de Ecarlos, que à primeira vista lembra mais o Tonhão, mas que se veste de Leonardo Silva quando acreditar é o que resta e o coração parece não mais bater. Que nos digam os corintianos.

Pode ser também no pé esquerdo de Victor, acostumado a fazer milagres e a nos erguer ao patamar acima do céu. Que seja na conversa com Deus, como bem faz minha amiga Tatty Pires, a aniversariante do dia que já nasceu às 18h para rezar a Ave Maria e pedir pelo Galo dela e de sua filha que viria, a linda alvinegra Bia. Que seja do jeito que for, desde que esse jeito seja em preto e branco.

Que seja de mão, em impedimento, de barriga, de calcanhar ou gol chorado. Pois choraremos todos juntos, como foi em 30 de maio de 2013, quando Riascos partiu pra bola. Como foi na madrugada de 25 de junho do mesmo ano, quando o paraguaio amigo escorregou diante do imenso gol vazio. Um santo choro, revestido de alegria e carregado de sentimentos. Um choro para calar qualquer fantasma e espantar os mais pesados algozes.

Pois o atleticano não só torce, mas também respira o Galo a todo momento. E esse duelo na Colômbia não sai da nossa cabeça desde o revés diante dos mexicanos do Atlas, aqui no Palácio do Horto. Inspirados no San Lorenzo, que se classificou ano passado com apenas oito pontos rumo ao título, nós mais uma vez desafiamos o improvável. Eles têm o Papa. Nós temos o São Victor, a Nossa Senhora do Cuca e o sangue nos olhos. Convivemos com o impossível e sairemos abraçados na fé. Não a santa, mas a alvinegra.

Que seja dia de Galo, de milagres e de provar ao mundo inteiro que viver é muito mais do que sonhar, mas que só quem sonha consegue desfrutar o lado bom da vida. Aqui é Galo e a camisa já está no varal, à espera da tempestade. Em homenagem a Roberto Drummond, o vento precisa perder mais uma.

Foto – www.futchopp.blogspot.com

 

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