Saudoso 29/07/17. O dia em que nos sentíamos vivos novamente

Sabe aqueles dias que você agradece por ter vivido?

É esse o sentimento de todo ser humano que nasceu com o sangue de três cores ao recordar do saudoso dia 29 de julho de 2017.

O Tricolor, naquela época, passava por uma fase extremamente turbulenta. Escândalos de corrupção, derrotas acachapantes para rivais, sucessivos campeonatos brigando contra a degola, dívida milionária, diretoria incompetente. Era tanta coisa errada que até o maior ídolo de nossa história assumiu precocemente o comando do time e quase arranhou sua brilhante história ao servir de muleta para manobras políticas. Dá pra acreditar?

Bom, mas voltamos a falar daquele histórico dia. Acredito que a maioria dos Tricolores de verdade se lembram exatamente onde estavam naquela data e de onde acompanharam o pleito. Era estreia do Profeta. Estreia, não. Reestreia. Ahhhh Profeta… mal sabíamos o quanto você nos daria de alegrias novamente após aquela fatídica reestreia.

Durante aquela semana, chamei insistentemente o Pedro, o Ale, o Quina e o Jabal para irmos ao Engenhão. Nenhum deles poderia. Algo me dizia que o jogo seria inesquecível. Tive que contentar-me em assisti-lo pela TV.

Antes da partida, fui acompanhar o jogo de várzea de alguns amigos que o São Paulo me apresentou. O Rebordose passou o carro no adversário e uma confusão generalizada marcou o fim da partida.

Ânimos acalmados, a TV já estava sintonizada no Engenhão, ainda no botequim do campo. Num primeiro tempo bem disputado, 1×1 parecia justo até uma falha grotesca de Renan Ribeiro que colocou o Botafogo à frente no placar. Não era possível. Até quando aquela maré de má sorte iria?

A quantidade de rivais desconhecidos e inconvenientes no boteco me fez partir no intervalo. O destino era a casa de outro amigo (também rival, mas que ao menos não tinha aquele perfil amolador dos caras do bar).

De lá, vi Cueva bater displicentemente o penal e o Botafogo, logo em seguida, anotar o terceiro. 3 x1. É, a fase negra parecia interminável.
Na sequência, uma bicicleta linda de um tal de Pimpão quase pôs fim às nossas esperanças.

Eis que Marcus Guilherme, até então um quase desconhecido da torcida, entra em campo. Poucos minutos depois, desconta em jogada de oportunismo. O relógio já anotava quase 40 minutos. Minha comemoração, então, é discreta, ou quase nula.

Dois minutos depois, o Profeta empata e corre para suas famosas piruetas no ar. Meu grito-desabafo é explosivo, seguido de um pedido de desculpas ao dono da casa que tinha sua filhinha recém-nascida no quarto ao lado.

A Lorena, hoje já uma mocinha linda, não ouviu o quarto gol. Não teve grito. Uma corrida imbecil por toda a casa foi a forma extenuante de comemorar o impossível. O São Paulo, naquele dia, fazia o impossível. Uma virada histórica que marcaria a retomada no caminho de glórias do maior campeão do país. 4×3 na raça, na camisa, no suor, na história.

Que saudades daquele dia.
Hoje, exatos 10 anos depois, listo facilmente aquela partida como uma das mais emblemáticas da nossa história.

E eu jamais imaginaria, naquele momento, que aquele guerreiro time em campo formaria a base multi-campeã nos anos seguintes.

Obrigado, Senhor.
É por dias assim que vivemos.

Vamo Tricolor!!!
9-4-4.

 

Imagem: jovempan online

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