Sentimento de amor sincero ao alvinegro

Já disseram, em algum momento, que a camisa do Galo, quando pendurada em um varal, faz o atleticano torcer contra o vento. Disseram também que o atleticano difere dos demais torcedores pela sua contagiante e assustadora paixão pelo time.

E disseram mais: que a Massa é a única capaz de ser solidária na dor, como foi no Brasileirão de 77, quando o time alvinegro saiu de campo como vice-campeão. Invicto. Derrotado apenas nos pênaltis e abraçado pelos milhares de olhares incrédulos e lacrimejantes que testemunhavam aquela tragédia.

Muito já foi dito – e com propriedade – sobre o Galo e sobre o seu maior patrimônio: a Massa. Louca, fiel, apaixonada, leal, bipolar e única. Pois é na Massa que penso quando escrevo esta coluna, feita para parabenizar o Clube Atlético Mineiro pelos 107 anos de luta, garra, dificuldades, dor, sofrimento, glórias, títulos, sangue, suor e lágrimas.

Uma história construída por homens de carne e osso, mas que muito se assemelham a super heróis, fictícios por natureza. Surreais e guerreiros, como tem que ser para vestir o manto.

Uma história que não depende de canetada de CBF ou qualquer outra entidade. Uma história que só pode ser contada com amor e com uma fidelidade capaz de sobreviver a jejuns, fracassos, desilusões, queda, dor, ‘erros de arbitragem’ e artimanhas de uma entidade que sempre se preocupou em nos prejudicar.

Só o atleticano é capaz de gritar ‘Vamos subir, Galô’ ao ver o time na segunda divisão do Campeonato Nacional. Porque a vergonha por uma queda sucumbe ao amor incondicional que temos pelo Glorioso alvinegro das Gerais, sem dúvida alguma o time mais amado deste planeta. Outros tantos, que já caíram em âmbito nacional e até mesmo estadual, escondem, camuflam e jogam para debaixo do tapete esta mancha em suas histórias.

Nós não. Demos as mãos ao Galo, como se faz com um ente querido no pior momento de sua vida. Subimos juntos, batendo recorde e convidando Sideral e Beth Carvalho para uma festa que o Mineirão jamais veria se vestido de azul.

Festejar é fácil. Embora tenha torcida (que chamo de torcida unicamente por obrigação profissional) por aí que nem isso sabe fazer. Quem conhece Minas Gerais, quem conhece Belo Horizonte, sabe do que estou falando.

Sabe que a festa só rola solta quando a taça disputada se veste de preto e branco. Seja no salão de festas da Pampulha, no Palácio do Horto, na Praça 7, na Savassi, no São Bento ou em qualquer canto deste estado alvinegro de coração.

É a Massa o que encanta ainda mais. Capaz de quebrar recorde atrás de recorde quando o assunto é presença em estádio, venda de camisas ou de pacotes de televisão a cabo. O Atlético é grande por si só. Nasceu para ser grande, em 1908, no coreto do Parque Municipal de BH. Mas é maior ainda por ter ao seu lado, em qualquer momento, a torcida mais argentina do Brasil, como dizia o turco mais brasileiro entre os argentinos.

Só essa Massa é capaz de fazer de Mixirica um ídolo em tempos de escassez de títulos. Só essa Massa levou aquele que um dia foi o melhor jogador do mundo aos prantos. O Gaúcho mais mineiro do Brasil não se conteve e cedeu aos encantos da Massa quando esta homenageou sua mãe, dona Miguelina, que vencia uma árdua luta contra uma grave doença. Aqui é Galo, R10, R49, RGalo. Aí também, sabemos todos.

A Massa fez de Cuca, o funcionário que virou torcedor, um campeão. Não de Minas. Não do Sudeste ou do Brasil. Mas da América. A Massa fez do pé esquerdo de São Victor do Horto um folclore. Fez de Vanderlei famoso e de Fábio, aquele que fica de costas, uma piada nacional. A Massa faz reverência a Riascos. Muito mais do que seus próprios simpatizantes. Encantamos Verón, viramos notícia na Argentina, derrubamos paraguaio com a nossa fé quando a coisa ficava mais preta do que alvinegra.

A Massa foi feita para o Galo, e vice-versa. Uma combinação perfeita. Um sentimento único. Fazemos história, fazemos tremer. Parabéns, Galo. Pelos 107 anos. Parabéns, Massa. Pelos 107 anos. É uma honra carregar no peito o amor por esse alvinegro das Gerais. É um dever carregar no peito o verbo acreditar. É um êxtase poder externar que acredito e que aqui é Galo. Sempre. É um delírio torcer contra o vento, mas é extremamente satisfatório vê-lo perder.

Foto – www.camisadoze.net

 

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