Simplesmente, Dudu…

É claro que a história gigantesca de um clube de futebol mais que centenário não pode ser contada apenas pelas datas pontuais, ainda que emblemáticas.

As datas são mesmo várias, mas isoladamente não dizem nada. É o conjunto delas – e principalmente o que ocorre entre elas – que faz um clube gigante, como é o Palmeiras.

Muito mais do que olhar o calendário e lembrar qual taça levantamos naquele dia específico, é importante recordar dos dias que representam verdadeiros marcos para mudanças de rumo de nossa história.

É o que acontece, por exemplo, quando se lembra da reunião feita às pressas na primavera de 1942, quando então o Dr. Mario Minervino, querendo pôr fim às tensões itálicas que a certa altura ameaçava explodir a tudo e a todos, resolveu decretar que se “NÃO NOS QUEREM PALESTRA, POIS SEREMOS PALMEIRAS E NASCEMOS PARA SER CAMPEÕES!!!”

Ou, então, quando em meados de 1992 um determinado diretor da Parmalat, humildemente, fez a célebre pergunta cuja resposta terminaria no surgimento da 3ª Academia de Futebol: “MAS O PALMEIRAS ACEITA???

E o que será que seria do dia 12/06/93 se em 1991 o Nelsinho não tivesse afastado o Evair POR INSUFICIÊNCIA TÉCNICA?

Também não se pode olvidar de quando o ex-presidente Luiz Gonzaga Belluzzo, praticamente ainda no leito de recuperação, assinou a escritura pública para construção do Allianz Parque, em 2010.
São essas passagens históricas e acontecimentos a princípio aleatórios que construíram nossa história. Não fosse tudo isso, provavelmente não haveria defesa de São Marcos no pênalti batido pelo arquirrival, no “Dia P”, de 06/06/2000.

Sem isso, talvez eu não visse, de joelhos e agarrado ao pescoço do saudoso meu pai, a bola do Zapata explodir na placa de publicidade junto à trave direita, na noite fria de 16/06/99.

Pois então, depois de atravessar um longo calvário, durante o qual as datas tinham apenas de ser esquecidas, eis que surge um acontecimento que merece estar no rol dos eventos memoráveis, importante o suficiente para alterar, de novo, os rumos da história da Sociedade Esportiva Palmeiras.

É o dia 11/01/2015.

Eu acordo naquela manhã de domingo, pouco mais de 1 mês após a permanência sofrida – e sofrível -na Série A, e me deparo com a seguinte manchete: “REVIRAVOLTA! PALMEIRAS PASSA POR CIMA DE RIVAIS E ACERTA A CONTRATAÇÃO DE DUDU.”

E com aquela voz ainda sonolenta, eu me viro pra minha esposa – então ainda namorada – e digo (sem despertar o menor interesse da interlocutora): “Ué, mas até outro dia ele ia jogar no São Paulo…” Depois me lembrei que o maior rival já tinha praticamente dado como certa a contratação desse jogador…

Não podia ser!!!

“Deixa eu ler de novo pra ver se ali não tá escrito que o Palmeiras tá contratando Adriano Chuva ou o Michael Jackson…. Ah, com esse nome de 4 letras, sendo 2 vogais, só pode ser o TITI… Não é o DUDU, destaque do Grêmio…”

Pois era.

A partir daquele dia o Palmeiras estava, definitivamente, de volta ao protagonismo, à vanguarda do futebol brasileiro. Estávamos de volta às grandes disputas no mercado. Brigávamos novamente para contar com os melhores jogadores, aqueles que se destacavam, e não mais viveríamos das migalhas dos atletas que ninguém queria…

Mas, como tudo que envolve nossas coisas, Dudu chegou contestado. Logo, por razões óbvias, trataram de depreciá-lo, dizendo que “não sabe chutar no gol”, que “não tinha faro de artilheiro”, “fominha”, “tem muita tatuagem”, “encrenqueiro”…

Nisso, nada de surpresa, afinal de contas, a contratação do Dudu representava, antes de qualquer coisa, um grande “chapéu” nos rivais, sobretudo naquele sito no extremo leste da cidade. Então, o anticorpo típico e natural para a patologia comumente chamada de “dor de cotovelo” vem em forma dessas baixas e vis intrigas palacianas (ou “imprencianas…”).

Em que pese tal, após um breve período de instabilidade, Dudu mostrou que tinha muito mais a ver com o Palmeiras do que com qualquer outro clube que tivesse precipitadamente sonhado em contar com o baixinho nas suas linhas. DUDU ERA DEFINITIVAMENTE NOSSO!!!

É aquele tipo de coisa que não se pode explicar. Um cara goiano, que despontou no Grêmio… Não tem nada de Palmeiras aí….

Pois tem! E como tem!!

Dudu é o espírito de porco em campo. É o corpo inteiro – e a alma também – ali dentro. Lá ele deixa tudo de si. É o animal moderno. O 7 legítimo. O nosso capitão!

Ele representa um marco de reviravolta na história da Sociedade Esportiva Palmeiras. Ali iniciou-se uma nova era.

Não existisse a manhã do dia 11/01/2015, não o veríamos correndo enlouquecidamente junto à bandeira de escanteio, quase a arrancar a camisa, aos 42 do segundo tempo daquele 02/12/2015…

Da mesma forma que não seria ele a erguer o troféu, tardio 22 anos, em 27/11/2016… Tendo a duvidar se haveria taça alguma a ser levantada…

Por isso, DUDU, ÀS FAVAS O DINHEIRO CHINÊS!!!!!! NADA PAGA SUA IMAGEM ETERNIZADA NA HISTÓRIA DO MAIOR CLUBE DE FUTEBOL DESTE PAÍS!!!!

VOCÊ É NOSSO ÍDOLO!!! VOCÊ É FODA, BAIXINHO!!!

Avanti.

imagem: r7.com

 

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