Sobre Alex, ídolos e idolatria

Salve Nação Azul!

Ídolo (s.m.): Pessoa considerada um modelo a seguir, de extraordinário respeito
Idolatria (s.f.): Paixão exagerada

No próximo sábado nós, cruzeirenses, poderemos ver em campo o ídolo Alex defendendo o azul celeste numa derradeira vez.
Jogador de qualidades inúmeras, um cara sério acima de tudo.
Ídolo pelos espetáculos que nos acostumou a ver dentro de campo e pelo exemplo de retidão fora dele.
Nunca, em qualquer momento da carreira, vi o Alex aprontar, polemizar, criar situações que pudessem arranhar sua imagem.
É ídolo aqui no Cruzeiro como é no Coxa, no Palmeiras e no Fenerbahçe.
Isso dispensa qualquer contrapartida.

Vivemos num mundo que constrói e destrói ídolos diariamente.
Os mais jovens, então, são ávidos por criarem essa condição.
Ficam loucos para tornar ídolo o Arrascaeta, o Damião… esses tem muito feijão pra comer e chegar aos pés do Eterno Talento Azul. Do atual elenco estrelado, coloco apenas Fábio como tal. Pelos jogos e pelos títulos.

Goulart é ídolo? Moreno? Éverton Ribeiro?
Todos eles são, pra mim, frutos de idolatria, paixão exagerada que eleva um ser a uma condição efêmera, provisória, passageira. Como Montillo, Ramires, Fabrício, Dagoberto…
Todos passaram pelo time, tiveram suas histórias de superação mas não fincaram raízes aqui.

Alex não.
Chegou em 2001 em meio a um turbilhão de acontecimentos em sua carreira.
Em litígio com o Parma, pouco jogou. Quando o fez, deu raiva. Chamavam-no de Alexotan tamanho era o sono do rapaz em campo.
Quando Luxa veio para o Cruzeiro em 2003, bancou a volta do Alex. Disse que pagaria o salário do meia se ele não desse conta do recado.
Alex voltou, foi submetido a dietas rigorosas para manter peso e forma; se ausentou de treinos por diversas vezes para tratar problemas de gestação da esposa. E disso pouca gente sabe.
O fato é que o abraço que o Cruzeiro deu a ele numa época em que sua carreira pendia pra baixo fez com que ele envergasse com vontade o azul.
E aí ele fez o que fez.
Assombrou o Brasil e o mundo numa temporada perfeita.
Como a Taça Brasil 66 não tinha sido homologada, fez-nos enterrar a única história que o torcedor cor-de-rosa ainda nos impunha: a tal da estrelinha amarela.

Lembro-me que quando o juiz apitou o fim daquele Cruzeiro x Paysandu e nos sacramentou campeões brasileiros que eu não vibrei, não gritei… só me pus de joelhos em frente à TV e desabafei: nunca mais me falem de estrela amarela!

Esse é o ídolo!
Assim como muitos que ele levará a campo em sua merecida festa de despedida.
Ele me fará ver jogar alguns ídolos que não pude ver, como Raul, Natal, Zé Carlos e Dirceu Lopes.
Reencontrar outros gigantes como Sorín, Ricardinho, Aristizábal e Nonato.

Estarei lá, de inferior vermelho, registrando nas lentes fotográficas os momentos que se eternizarão nas lentes da retina, da memória.

Em tempos difíceis, de falta de ídolos, das paixões efêmeras, só me restará dizer mais uma vez no fechar das cortinas o meu MUITO OBRIGADO, ALEX!

Dá-lhe Cruzeiro!

Abraços a todos, saudações celestes, fiquem com Deus!
Até a próxima!

por Rogério Lúcio
Twitter: @rogeriolucio77

(Foto: Auremar de Castro/EM Press)

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