T 712 PA 116

Podia ser algum número da sorte, mas é apenas a sequência estampada na placa do veículo da frente na esburacada e perigosa estradinha entre Samara e Kazan.

A desfavorável logística entre cidades, com falta de ônibus e com trens que tomariam 15 horas para percorrer um trajeto de 300 km, nos forçou a rumar para Kazan, cidade que receberá a quartas de final do Brasil, de Yandex, uma espécie de Uber russo.

Após rápida negociação, chegamos a um denominador sobre o valor da viagem de cerca de 5 horas.

Na primeira meia hora de viagem, olho para trás e já vejo Marina e Fernandinho, meus dois cúmplices nesta missão, no décimo quinto sono.

O motorista não fala uma palavra em português. Óbvio.
Inglês? Nunca.
A negociação foi toda pelo Google Translate. Acho que nem russo ele deve falar…

Sono é tipo doença epidêmica. Vai contagiando quem tá ao lado.
O olho começa a fechar com aquele solzinho de fim de tarde.

Mas quem vai conversar com o motorista para mantê-lo acordado nessa estradinha perigosa?

Ninguém. A gente não se comunica. Por vezes movimento os braços para que ele saiba que estou acordado e não se sinta só nessa jornada. Mas eu nem sei se ele está com sono ou não.

Ele está de óculos de sol. Observo periodicamente por entre seus óculos se há uma ameaça de fechamento de olhos ou não. Por enquanto, tudo tranquilo. Exceto quando ele resolve mexer no celular e desvia sua atenção da estrada…

Em batalha árdua, saio vencedor. Meu sono vai embora. Resolvo, então, escrever este conto como passatempo. Ainda faltam 3 horas de viagem.

Quanto ao sono do motô?
Ah, esse já desisti de vigiar. Deixo nas mãos de Deus. Não há quem vigie melhor.

Ainda mais sabendo que Deus é brasileiro. Que está nos vigiando hoje e que irá nos vigiar amanhã.

Aliás, nunca te pedi nada hein, Deuszão. Um a zerinho amanhã e não se fala mais nisso.

Pelo menos até a próxima estrada…

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