Tem muito pinóquio nessa aldeia

Não foi mentira. De fato, perdemos o jogo para a turma ‘duladilá’ da lagoa no último final de semana. Foi a segunda derrota no ano para essa gente que só aparece na boa. E perder para as Marias nos incomoda sim. E muito. Mas também é verdade que o jogo valia para um lado só. Apenas para quem ainda brigava com o América pelo segundo lugar na fase de classificação do estadual, que, quando convém, vira rural. Desculpe, mas a América que nos interessa é outra…

Isso não justifica o segundo revés no ano. Pode ser amistoso que queremos ganhar. E nem minimiza os erros que o time ainda comete. Há esperança no trabalho do Roger que, ainda que devagar, vem sendo mostrado jogo após jogo. Há uma evolução no time e no próprio rendimento individual dos principais atletas, mas há muito o que corrigir para que a temporada renda os títulos que almejamos. E nosso treinador, esperamos, sabe bem disso.

Só que a conversa essa semana é sobre pinóquios e a aldeia do Mano, pobre mano. Lendas que parecem nunca ter fim quando o assunto é o clássico João e Maria e as verdades e mentiras que cercam esse duelo.

Sobre verdades e mentiras, a conversa precisa ir além da discussão sobre a irregularidade no segundo gol azul. Negar a história e o próprio almanaque é falso ou verdadeiro? Chamar de freguês com mais de 30 vitórias a menos no confronto direto é o que? E se autodenominar ‘time do povo’ sem povo algum? O bom entendedor lê tímido povo e fica tudo certo. Até faz sentido. Mas e aquele que leva tudo a ferro e fogo? Fica sem entender nada, uai.

Títulos? Valem os rurais ou não? Se não, o que é então a tal tríplice coroa? Alguém me explica, porque o tico e o teco estão em conflito aqui. Historinha pra Maria dormir, talvez. Nesse mundo do faz-de-conta onde vive essa gente, não importa a maior série invicta ser alvinegra, não existem o 9 x 2 e os dois 6 x 1 que levaram no lombo e, pra ser do povo, não precisa de povo pra rodar a roleta. Fica a faixa em baixo e o eterno mosaico cinza em cima. Hilário! Se para nós o Mineirão é o salão de festas, para a turma de azul é apenas uma alusão ao famoso e alardeado 50 tons de cinza.

Pois é. Aceitar os fatos dói menos, Maria. Nós, por exemplo, não negamos a nossa história. Pelo contrário, muito nos orgulhamos dela. Não foi a primeira vez que perdemos pra essa turma da arrogância, que só aparece nas horas boas e apenas nas redes sociais. Nunca trocamos de nome por isso e sequer negamos o 6 x 1 e a Série B. Nossa história tem páginas tristes sim. E isso ajuda a fazer com que seja ainda mais bonita e rica!

O meu respeito pelo tímido povo tende a cair ainda mais a cada vez que a discussão tem como tema presença de público no estádio. Há, ainda, os que defendem ser verdade que a final do Mineiro de 1997 teve público pagante superior a 100 mil. Muito pinóquio pra pouco cacique nessa aldeia.

Neste estadual, por exemplo, colocaram, com muito custo e promoção (sim, elas também fazem promoção!), quatro, cinco, sete ou dez mil no estádio. Contra o Galo, o público subiu pra 30 mil. Será que vão ver o time estrelado ou o alvinegro? Devem ter ido gritar ‘Fred, guerreiro, volta pro Crüzeiro!’ Pena que por pouco tempo.

Finalizada a prosa sobre verdades e mentiras, foquemos na realidade nua e crua. Se a Libertadores das Marias é o estadual (ou rural, se assim preferirem), como diz o Fred Melo Paiva, pra nós é a verdadeira. É na competição sul-americana que pensamos todos os dias. O estadual faz parte do pacote 2017 e se a taça vier, será motivo de festa. Tomara que dessa vez o Crüzeiro consiga chegar na final pra gente tentar dar o troco. Afinal de contas, quando tá valendo, tá valendo.

Foto – Jornal O Tempo (e não é montagem!)

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