Todo Carnaval tem seu fim

Salve Nação Azul!

O título óbvio é paráfrase ao bom compositor Marcelo Camelo para descrever meu fim de semana junto ao Cruzeiro.
No sábado, ao adentrar o Mineirão, fui teletransportado ao passado.
Aos remotos tempos da minha infância.

Aos meus olhos, vi acontecerem coisas que sequer imaginaria ver no meu melhor sonho sobre futebol.
Coisas que só um cara como o Alex conseguiria me proporcionar enquanto cruzeirense.

As páginas heroicas imortais contam que em 1966 um Diabo Loiro infernizou a defesa do esquadrão santista de Pelé e o Cruzeiro atropelou aquela verdadeira seleção num sonoro 6×2.
(Sei que não preciso pedir, mas guardem esse placar).
Pois ali estava ele, Natal, o próprio Diabo Loiro, vestindo a 7 azul e arrancando (a seu modo e com seus mais de 60 anos) pra levar seu time ao ataque.
Eu que achei de jamais ver essa cena, ali estava eu aplaudindo de pé ao primeiro cara que me fez ser cruzeirense.

Do lado de fora, também aplaudiam alguns muito mais ilustres: Raul Plasmann, Nelinho, Zé Carlos, Dirceu Lopes… todos presentes na mesma festa que eu.
Uma ode à história do time cinco estrelas.
Bem-vindos aos anos 70.

Minha primeira lembrança com o Cruzeiro é dos anos 80. Mais precisamente, 1984. Eu tinha só 6 anos, o Cruzeiro descia ladeira abaixo e apanhava até do time da banda de música.
Salvaram-se pouquíssimos jogadores, vez ou outra elogiados por meu pai com ouvido colado á Rádio Inconfidência: o goleiro Gomes, o bom volante Douglas, o ponta Robson, o rápido Carlinhos Sabiá, o avante Carlos Alberto Seixas. Isso em uma década inteira.
Pois ali estavam eles, mais corpulentos, cabelos esbranquiçados pelos anos, mas sorrindo ao pisar o gramado do Mineirão com as cinco estrelas no peito.

Os anos 90, esses sim, eu os vivi muito intensamente junto ao meu time. Nonato, Paulo César Borges, Mário Tilico, Boiadeiro, Paulinho McLaren… Roberto Gaúcho!
Ê saudade… voltamos a ser soberanos em Minas e ampliamos as fronteiras, ganhando Copas do Brasil e Supercopas. Como vibrei com os times dessa década.
Sábado revivi laços da história que são vivos na memória.

De lá pra cá é fácil contar a história do Cruzeiro. Tem Youtube. Tem Google.
E tem muita glória também.
Mas ver juntos Sorín, Aristizábal, Cris, professor Adilson, Marcelo Ramos, Clebão, Ricardinho, Elivélton-do-Pé-Direito-Abençoado… não teve preço.

Tudo isso ciceroneado pelo ótimo Alex, nosso eterno 10 Genial!

Vou poder contar aos meus netos que um dia eu os vi jogar.
Melhor: vou falar que houve uma vez que em que todos estavam juntos, numa mesma festa histórica em campo, e que eu estava lá!!!!

O placar final não podia ser mais saudosista: 6 a 2.
Ali estava estampado em minha retina o mesmo placar do começo dessa prosa.

Mas todo carnaval tem seu fim.
Chega a quarta-feira de cinzas e está tudo acabado.
Domingo à tarde: Coritiba 1, Cruzeiro 0.
De volta ao time do Marquinhos.
De volta ao clima de fim de feira.
Bem-vindos a 2015.
E Feliz 2016, cruzeirenses…

Dá-lhe Cruzeiro!

Abraços a todos, saudações celestes, fiquem com Deus!
Até a próxima!

por Rogério Lúcio
Twitter: @rogeriolucio77

(Foto: Alexandre Guzanshe/EM DA Press)

Compartilhe!
  • 5
  •  
  •  
  •  
  •  
    5
    Shares

Deixe sua Opinião