Todo João precisa de uma Maria

A vida anda ruim na aldeia, é verdade. O atleticano tem andado dividido, sem saber se declara guerra ao time do ‘Gallo’ ou se abraça, como sempre, o time do Galo, esse ano ‘sette’ vezes pior do que o dos últimos anos, se é que vocês me entendem. Mas o futebol, além de ser uma caixinha de surpresas, é mesmo uma loucura – que insiste em rimar com Atlético Mineiro. Sim, só os loucos sabem o quanto é estranha essa mania de ter fé na vida. E nossa vida é, declaradamente, o alvinegro mais amado de Minas.

Cabisbaixo desde a decepção em que se transformou o time montado com Robson e Frederico, o atleticano acreditou que esse ano seria diferente. Sem medalhões, mas com o sangue nos olhos de volta. Infelizmente não é o que tem acontecido de janeiro para cá. Um time mais barato era necessário e a torcida entenderia, mas não estamos vendo a garra, marca maior dessa insanidade que toma conta de nossos corações. Os jogadores que chegaram e alguns que restaram do ano passado não entenderam ainda o que é jogar aqui. É preciso um Kalil da vida para mostrar a eles que existe o futebol e existe o Galo. Coisas bem diferentes, diga-se de passagem. Que falta faz o turco!!!!

Fato é que o atleticano não tem motivo algum para comemorar até aqui, a não ser os 110 anos de sua maior paixão, completados ontem. É mesmo a paixão o que realmente move esse torcedor, que apesar do Gallo, do Sette e dos Aroucas e Guedes da vida, já começa a sonhar com o título estadual. E não é preciso muita força para entender que um sonho alvinegro vira e mexe se transforma em realidade. Afinal de contas, mostramos ao Brasil e ao continente que o nosso acreditar derruba até mesmo as causas mais impossíveis.

E nada é melhor para reerguer o time e reacender a esperança no torcedor do que uma final contra as Marias. O triunfo nessa decisão do estadual não pode servir para empurrar pra debaixo do tapete as limitações do elenco montado pelo Gallo, ex-jogador, ex-técnico e muito brevemente ex-diretor de futebol. Aí está a chance desse grupo para se redimir diante da Massa. Um título – mais um – em cima do nosso cliente cinco estrelas vai amenizar bem o caos atual e trazer tranquilidade para o Larghi e seus comandados.

É claro que para isso acontecer não será nada fácil. Como diz o outro, quer ver moleza entra no google e digita ‘final da Copa do Brasil de 2014’. Fora isso, o futebol é tão duro quanto a vida. A favor de nosso adversário, a melhor campanha, um time mais arrumado e a vantagem de jogar por dois resultados iguais. Mas temos, do nosso lado, a alardeada tremedeira (reconhecida em todo o território nacional) que toma conta da turma da arrogância quando a conversa é com a gente e o fato de decidirmos em nosso salão de festas, onde é impossível ir sem convocar a madrinha Beth Carvalho: ‘Vou festejar, vou festejar, o teu sofrer, o te penar’.

Sim, essa gente tão estranha que nega a própria história e arrota caviar sem conhecer sequer uma mortadela defumada, sofre se perde o estadual para o Galo. Chamam de rural, mas passaram a primeira fase inteira comemorando a liderança. Desdenham quando perdem, mas colocam na conta de uma tal tríplice coroa que não passa de invencionice de quem passa a vida vendendo linguiça e estocando açúcar em helicóptero, se é que me entendem de novo. Imagina se perde esse ano, com um time tão badalado e cheio de vaidade diante de um amontoado do Sette e sem técnico efetivo? Vai ficar difícil explicar, hein? Que os deuses entrem em campo de novo e digam amém!

A nós, resta acreditar de novo e abraçar quem está lá. Não adianta pensar em Tardelli se o que temos pra hoje é Erik, sonhar com Marcos Rocha e acordar com Patricão da Massa, relembrar Ronaldinho Gaúcho se quem está lá é o Cazares, quase sempre de ressaca. O time campeão da Libertadores, da Recopa e da Copa do Brasil já era, acabou. O que não acaba nunca é essa nossa vontade de puxar as barbas de Deus e pedir, em uma conversa íntima e surreal, que nossos sonhos sejam atendidos. Porque quem acredita uma vez, meu amigo, não desiste jamais. E como dizia Belletti, ‘lugar de estrela é no céu. No campo, é lugar de guerreiro’. Vai pra cima deles, Galo!!!!!!!

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