Todos têm goleiros. Só nós temos Rogério… por mais um mês!

 

Cento e vinte e três…

Tinha 11 anos de idade. Era um sábado à tarde. Assistia sozinho, no quarto da minha irmã mais velha, a mais um jogo do meu Tricolor na TV. O que parecia apenas uma partida sem grandes emoções contra um fraco time do interior se tornou o início de tudo.

Por vezes comentava com meu pai que nosso goleiro vinha treinando batida de faltas. As notícias de época davam conta que o aproveitamento nas cobranças crescia a cada dia. Eu imaginava, então, como seria ver um gol do São Paulo de goleiro. Seria fantástico. Ou melhor, eu não sabia como seria.

O final do primeiro tempo se aproximava. Eis que já nos acréscimos é marcada uma falta na entrada da área do saudoso União São João. Rogério Ceni pede então autorização ao treinador (Muricy Ramalho) para se aventurar no ataque. Com o aval do chefe, caminha à meta adversária e se posiciona para a cobrança.

Era nítida a expectativa de todos naquele momento: do narrador, do comentarista, da torcida no estádio, dos milhões assistindo pela TV, e minha. Fiquei de pé e me aproximei da TV para ver aquilo de perto. E poucos segundos depois, a bola estava na rede…

Rogério nem sabia como comemorar de tanta alegria, mesma reação que repetiria anos depois no centésimo gol. Eu também não sabia. Lembro de gritar gol como um maluco. Corri pela casa toda gritando: “É Gooooooooooooolllll. É Gol de goleiroooo!!! É Gol de goleirooooooo”. Fui até a cozinha contar pra minha mãe, gritei mais um pouco na janela e mal podia esperar até meu pai chegar para comemorar com ele.

Jamais imaginei que aquele seria apenas o primeiro de mais de uma centena deles. Jamais imaginei que eu teria o privilégio de ver ao vivo uma grande parte desses mais de cem. Jamais imaginei que meu herói daquela tarde fosse se tornar um herói pra minha vida toda.

Aquele herói de ocasião se tornou sinônimo de São Paulo. Mais do que isso, se tornou sinônimo de caráter, profissionalismo e hombridade. Se em campo colecionava recordes e mais recordes, fora dele colecionava admiradores de sua postura e inteligência.

Hoje, Rogério Ceni ainda faz história. Daqui alguns dias, a história contará quem foi Rogério Ceni. E que honra ter tido a oportunidade de vivenciá-la por inteiro.

Quando tive a chance de estar ao seu lado, não encontrei palavras mais significativas do que aquele “Obrigado, cara! Você foi responsável pelas maiores alegrias da minha vida”.

É impossível imaginar o São Paulo sem esse cara. Seja pelos gols, seja por defesas, seja pela liderança. Estamos diante do maior arqueiro que este país já viu. Por isso, estarei presente em cada um dos últimos minutos de sua carreira. Se eu pudesse dar um conselho aos 16 milhões de tricolores espalhados pelo mundo (e até mesmo a quem não torce pelo São Paulo) seria este: Não perca a chance de fazer parte da história. Vá ao estádio e guarde para sempre na memória os últimos passos de Rogério Ceni.

O M1to vai virar lenda.
Participe desse momento. Seus netos e bisnetos vão querer ouvir sobre ele.

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