Torcer para o São Paulo se tornou uma grande dureza, Milton…

Depois da derrota para bolivianos, em casa, desta vez não conseguimos vencer também os venezuelanos. Dois países sem qualquer representatividade no futebol cavaram a cova do Tricolor na Libertadores.

Chego em casa e, como de praxe dos retornos de estádios ou bares em dias de jogo, cruzo com a minha mãe que pergunta:

– O São Paulo ganhou?

– Não! – encerrando o tema da conversa em uma única palavra.

Nunca na minha vida respondi com essa mesma palavra por tantas vezes como no último biênio, Perder virou normal. O ‘anormal’ é ganhar. Dia desses, um grupo de amigos comemorava efusivamente uma vitória sobre o Mogi Mirim. Eu, o corneteiro daquela noite, dizia inconformado: “Calma!!! Nós ganhamos do Mogi Mirim. É a obrigação da obrigação vencer o Mogi em casa. Estamos falando do São Paulo Futebol Clube, meus amigos…”

Naquela mesma noite, pedi a eles que Paulo Henrique Ganso aparecesse em jogos importantes assim como aparecera na partida pelo Paulistinha. Fui acusado de não estar feliz com a vitória do meu time. Encerrei o assunto e fui dormir.

Ganso, desde então, surpreendeu positivamente nas duas partidas seguintes pela Libertadores (embora tenha descansado no banco e no campo, no último domingo, no Pacaembu). Nas decisivas partidas diante do River Plate e dos venezuelanos, Ganso se apresentou, chutou, guardou, lançou. Mas na hora de levar 10 e a faixa, TRAVE. O que acontece que ele nunca pode ser ‘o cara’ de uma grande VITÓRIA nossa? O que acontece que não conseguimos fazer gols de pênalti?

Como venho dizendo, há peculiaridades que demonstram a nebulosidade dessa nossa fase: gol de Reinaldo, pênaltis perdidos em sequência, Robinho se tornando carrasco, bolas que batem nas 26 traves e não entram, gols que qualquer jogador de série D fariam. Hein, Sr Húdson???

Sinceramente, não sei mais o que dizer. Se o problema fosse um ou outro jogador, a diretoria, o técnico, o zika vírus, o árbitro, a torcida, o campo, ou qualquer outra coisa, seria simples apontar. Mas nosso caso é mais abrangente…

O desdém de jogadores em campo, diante de um time semi-varzeano, em um jogo decisivo, foi nojento. Eu imploro! Me digam! A culpa é do preparo físico???

O mesmo time que se portou como time, na semana passada, se portou como um bando na Venezuela.

É sacanagem com o torcedor colocarem jogos do São Paulo no mesmo dia de jogos do Barcelona. Obviamente não estou comparando qualidade, mas a vontade incessante de um time que é o melhor do mundo há 5 anos, não dando espaço sem a bola, sendo dinâmico com a bola, se matando em campo. Parece que o Barça joga com 25 em campo e nós jogamos com 7.

Bauza também já começa a irritar. Apesar de ser o menor dos problemas, insiste cegamente em peças que não rendem. E o Maicon, nosso melhor zagueiro hoje… foi poupado DE QUÊ no principal jogo do ano?

Ataíde e Gustavo, vocês ainda trabalham no São Paulo?

A vaca não foi pro brejo, pois já estamos no brejo há um bom tempo.

Já mudei de arquibancada, já mudei de lugar no sofá, já mudei de canal, já mudei de camisa, já mudei de meia e cueca, já mudei os dedos que permanecem cruzados, já mudei os santos protetores por quem rezar… e NADA.

Cresci em uma época onde o bordão “Torcer para o São Paulo é uma grande moleza”, de Milton Neves, retratava a realidade que vivíamos. Mal sabe ele a dureza que isso se tornou hoje.

Aconselho a não assistirem os próximos jogos do São Paulo de andares muito altos…

 

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