Valeu, turco mais argentino do Brasil

Ainda em festa – sim, nós comemoramos a Copa do Brasil como se fosse o Mundial Interclubes mesmo –, hoje o coração alvinegro começa a bater mais devagar. Diante do Coxa, o Galo faz seu último jogo com Kalil na presidência. Não chega a ser a tristeza propriamente dita, mas eu ainda acho que está faltando um louco no nosso Conselho para rasgar o regimento interno do clube como se fosse uma camisa de um certo time azul da Enseada das Garças.

Kalil deveria ser presidente do Galo para sempre, assim como São Victor não pode jamais se aposentar ou mudar de clube. Já perdemos o Cuca e o R10 e vai ser dolorido ver, na quarta-feira, nosso mandatário campeão passar o bastão para Daniel Nepomuceno. Cena que eu não queria ver, confesso. Não pelo Daniel, mas pelo turco mais argentino do Brasil.

Eu xinguei o turco em junho de 2012 e não mereço perdão por isso. Fui às redes sociais contestar a contratação de R49, que depois viraria R10, mas é mais conhecido como Rgênio, o gaúcho mais mineiro que já existiu. Mal sabia eu que era ali que a história começaria a mudar. A história do Galo, da Massa, do Kalil, do Cuca, do R10 e da dona Miguelina.

Foi ali, graças à coragem do presidente e do Cuca, nosso ex-funcionário que virou torcedor, que o pão alvinegro deixou de cair com a manteiga pra baixo. A contratação de Ronaldinho Gaúcho é a mais importante da história deste clube. Talvez ao lado da chegada de São Victor.

O jogo contra os paranaenses, no Palácio do Horto, deixa de ser amistoso para o Galo. É o da volta olímpica, da entrega das faixas e da despedida de Kalil. Sabemos que é um até breve apenas. E que o Nepomuceno possa seguir os passos do turco, pois o trem não pode mais sair do trilho. O atleticano se acostumou com a vitória. Galo, que sempre foi sinônimo de raça e de amor, agora é também sinônimo de título.

Valeu, Kalil. Você nos ensinou muitas coisas nesses últimos anos, sobretudo que o impossível não existe. Faltou o Brasileirão. Faltou o Mundial. Mas sobrou emoção. Sobrou lágrima. Sobrou orgulho. Além do mais, nos ajudou a mostrar para todo o Brasil que eles tremem e isso, por si só, já vale uma estátua em Lourdes.

Que nossos jogadores deem uma pausa nas comemorações para retribuir todo o trabalho feito durante a sua gestão com uma bela vitória logo mais no Horto. Afinal de contas, o Coritiba tenta a sobrevivência, mas foi cair no Horto na penúltima rodada. Mau sinal.

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