Varal intacto

A camisa de 3 cores não enverga mais varal.

Pode pôr na máquina, sem medo, misturada às pretas, brancas, azuis e amarelas. Depois do enxágue, está liberado coloca-las em uma mesma bacia e leva-las ao quintal. Uma a uma, hasteie-as com pregadores, lado a lado, esperando que o sol faça seu natural trabalho.

Camiseta polo listrada, regata branca, camisa social azul marinho, camisa do São Paulo, camiseta cinza, laranja e preta. Não há mais com o que se preocupar. Os novos varais são resistentes. Elas vão secar.

Os mais antigos entortavam, envergavam, quebravam. Os novos, não. Haja o que houver.

Há quem sequer as secará no quintal. Por vergonha de expô-la aos vizinhos, secando-a no box do banheiro, ou quiçá por ter desistido mesmo de usá-la. Há. Eu tenho certeza que há. E muitos.

A torcida que mais crescia no Brasil, anos atrás, hoje é, com certeza, a que mais diminui. O multi-campeão de outrora é o saco de pancadas de hoje. O São Paulo coleciona papelões a cada nova competição.

Ter paciência de ‘Jô’ não adiantou. Assim como a camisa da sorte, o lugar da sorte, a meia da sorte, o boné da sorte, o ritual da sorte. Nada adianta mais. Não existe um pé-frio no Morumbi. Todos nos tornamos pés-gelados.

Eu não quero mais falar de ninguém. Já estamos cansados de saber tudo. Dizer que Lucão e Franzino Caio formaram a zaga dos dois maiores vexames da história é clichê. Falar do preparo físico ridículo, das 16 lesões em 4 meses, do vergonhoso departamento de fisiologia, de novo? Da frouxidão dos meninos criados a pão de mel e suco de tamarindo, em Cotia, ou do desdém com resultados… mas de novo?

Falar do quê? Do maior ídolo da nossa história que está prestes a queimar parte de sua idolatria? Já vejo insultos aos montes nos grupos e redes…

Presidente, diretores, técnico, jogadores, patrocinador, fornecedor de camisa. Já trocou-se tudo. Já chegou ídolo para ser o técnico, já chegou o considerado melhor centroavante do país, já veio zagueiro de 30 milhões, volante beatificado na Rússia…

A mística da camisa parece ter acabado. E dói dizer isso. Talvez o Cara lá de cima não tenha curtido muito aquele papo de ‘Soberano’ e nos faz calçar sandálias da humildade.

A vontade que eu tenho é de mandar todo mundo pra puta que o pariu.. quer saber? Não vou passar vontade: que vá todo mundo pra puta que o pariu.

Todo mundo.

Quem é São Paulo de verdade vai sobreviver. Afinal, nunca vi ninguém morrer de amor.
Quem não sobreviver é porque nunca amou de verdade…

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