Moço, você tem garrafas vazias?

Salve Nação Azul!

Quando eu era molequinho, me lembro de um senhor de voz grave que andava pelo meu bairro do Rosário bradando em voz alta:
– Liiiitro e garraaaafa!

Quem tivesse garrafas vazias pra vender garantiria assim uns trocados extras para engordar o porquinho.
Assim vai ser o Abril do Cruzeiro (e dos cruzeirenses)…

Será que nosso time tem garrafas vazias pra vender? Ou será que é só isso aí que temos visto em 2015?
A saber: pela Libertadores, o Cruzeiro inicia o quarto mês do ano jogando sua sorte contra o Mineros (dia 08 em casa), depois Huracán (dia 14 fora), e fecha a fase de grupos contra o Sucre (dia 21, feriado, na Toca 3).
Não aceitaremos outra coisa senão a primeira colocação num grupo em que se entrassem o Bambala, o time do bairro do Rosário e (talvez!) até aquele timeco de Vespasiano, algum deles beliscaria classificação. Vale frisar porém: contra adversários que não são nem série D no Brasil, classificar-se em primeiro não pode virar fardo.
Explico: daí o time vence um grupo fraquíssimo, acha-se auto-suficiente e cai fora logo nas Oitavas contra algum mais ou menos qualificado.
Porque, muito infelizmente, o Cruzeiro de hoje é isso: mais ou menos, água de chuchu, sem gosto nem graça.

Em terras Geraes, nesse domingo de Páscoa o Maior de Minas enfrenta a Tombense para selar também a primeira colocação na fase inicial do Campeonato Mineiro. Conversando dia desses com um amigo emplumado cacarejante, expliquei a ele que será fato a se comemorar. Triste, não? Mas real.
Ano passado foi essa primeira colocação que nos deu a chance de vencermos o estadual com dois empates na final contra o timeco de Vespasiano. E, cismo, será a única coisa a comemorarmos em 2015: o título Mineiro.

Por que a cisma? Por que tanto amargor?
Porque sem Lucas, Goulart e Ribeiro, o meio-campo do Cruzeiro se desmantelou. E ainda não se achou. E ainda não encontrei quem explique ao Léo que futebol é mais que chutão. E porque não temos uma jogada ensaiada sequer. E os laterais estão com preguiça. Até o Willian Bigode, de muito boa vontade, está com preguiça…
Num time com o futebol que está a cara do Marquinhos (feio, magrinho…), é torcer para que o outono de Abril seja inspirador. Que Arrascaeta desencante. Que Alisson não se machuque. Que Damião siga iluminado. E que Marcelo Oliveira tire leite de suas pedras, encontre algumas garrafas vazias pra vender, engorde o porquinho do futebol do Cruzeiro e reconduza a nave azul ao céu de brigadeiro ao qual nos acostumamos. Senão…

Mas mesmo assim, dá-lhe, Cruzeiro!
Abraços a todos, saudações celestes, fiquem com Deus! Até a próxima!
Feliz Páscoa!

Por: Rogério Lúcio
Twitter: @rogeriolucio77

(Foto: Jeremias Xavier / Ligth Press)

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